DIÁRIO TAURINO TRIUNFADOR EM 2011, 2012 e 2013! ESTE BLOG FOI GALARDOADO COM OS TROFÉUS IMPRENSA do SORTILÉGIO CLUBE-REGUENGOS DE MONSARAZ (2011), TERTÚLIA TAUROMÁQUICA DE ESTREMOZ (2011) E AINDA COM O TROFÉU IMPRENSA DA TERTÚLIA TAUROMÁQUICA NOSSA SENHORA DO CARMO, EM SOUSEL (2011 e 2012). EM 2013 GALARDOADO PELA TERTÚLIA TAUROMÁQUICA DE ALAGOA. OBRIGADO A TODOS OS LEITORES. ESTES TROFÉUS SÃO VOSSOS!
--------------------------A informação taurina passa diariamente por aqui. Um blog ao serviço da festa e dos toureiros portugueses----------------------

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Mentidero: "Jueves de Resurrección" - Por Duarte Palha

Ilustração: Joaquim Quintella
Texto: Duarte Palha


- Abro esta página de word mas não me abre a mão às palavras. Chegam-me os temas à ideia, mas falham-me as ideias aos temas. O toiro que sai dos chiqueros e eu que não saio de traz do burladero. Toiro em praça, e eu sem capote para lhe abrir. Procuro bandarilheiros que o toquem, burladero a burladero, mas vejo-me só na trincheira.. A escrita tem tanto de partilha como de solidão.

Vem-me aos dedos o agradecimento, sincero, profundo, que tenho guardado ao Ricardo Levesinho e que ainda não saiu das intenções, desde que se despediu de Vila Franca. Sai agora. Obrigado Ricardo! Obrigado por ter devolvido a grandeza e o publico à praça com a qual partilho as raízes, o nome e os gostos. E faça o favor de voltar um dia!

Não se me alarga mais a ideia. Emperra-me a mão. Levanto-me, ligo a televisão, é dia de Vitorinos em Sevilha. Falta pouco mais de uma hora. Entrevista-se Vitorino filho. Gosto de o ouvir. Gosto muito. Fala com os factos, com as razões e sem os dogmas. Como os inteligentes. Como os melhores. Não lhe pesa o apelido ou a história. As fundas, "que, al final, si", o afeitar "que antes quedarse una camada por lidiar" os toiros da ganaderia, os bons e os "muy malos", como os da passada isidrada, assumidos sem desculpas, e entre risos, com a naturalidade e a segurança dos grandes. Dá gosto ouvi-lo e abre o apetite para o que lá vem.

Volto ao texto, computador ao colo, televisão à frente, começa a previa da corrida. Talvez me inspire.

Lembro-me do vídeo. O vídeo do Ricardo Araújo Pereira e do Nuno Markl contra "as touradas". É lixado - a palavra não é bonita, mas é a palavra que me escapa para o teclado e não me sai da cabeça. É lixado alguém que tanto admiramos (e sei que continuarei a admirar o génio inigualável que é o Ricardo Araújo Pereira) atacar assim algo que tanto gostamos. E mentir descaradamente, como fizeram. Estou lixado. E por aqui me acaba a prosa deste assunto. Nem me merece mais atenção,

A corrida já começou e vai andando, "muito obrigado". Com "apuntes". Mas sem levantar a “feria”, que vai moribunda, arrastada por mulillas ao som de silêncios indiferentes. Vai uma feira mansa e “pinchada”. Leva três dias seguidos de "aburrimientoe outro mais de triunfalismo e toureio a cavalo em toiros de corda.

Roda o terceiro da tarde. Boa faena e melhor estocada de Manuel Escribano. A corrida começa a ter um tom mais alegre que o cárdeno dos toiros.

Lembro-me do defeso. Lanço-me à escrita. Abro-lhe o capote. As tentas, as ferras, os treinos de forcados. As tertúlias, os dias de campo, os amigos  A inspiração não dá para mais do que três lances mal rematados. Apago e recolho novamente ao burladero.

Agigantam-se os olés. Pouso os dedos. Toureia Ferrera e soa a música na Maestranza. Levo-me de volta ao ano passado. Deixei a minha sala, o sofá, o computador e a solidão da escrita e da aficion por cabo. Sentei-me outra vez, tal como há um ano, no tendido cinco da praça sevilhana, com cheiro a "puros", olés roucos e a banda, ora suave ora intensa, a tocar nas minhas costas.

Escrevo desenfreadamente, sem teclado, caneta ou bloco. Guardo tudo o que vejo, oiço e sinto e escorrem-me as palavras pela mente. O toureio não é grande, é enorme e devolve-me a inspiração.

As pedras dos assentos estremecem a cada série, a cada remate. O toiro investe como "los buenos" da casa, esquecendo os irmãos de Madrid. O toureio nasce e flui pelos braços, pelas mãos, pelos dedos do matador. 

O toureio nasce e flui pela pele, pelos sentidos e sentimentos, do público, que já não se sabe em Sevilha, em casa ou num sonho sem morada. As musas do toureio descem novamente sobre Ferrera, que a cada muletazo, a cada pincelada, a cada milagre sobre a arena, se reconverte em Deus do temple e do templo sevilhano.e o templo - "roto" como o toureiro - entregue e crente, clama pelo seu salvador. 

 Renasceu a arte, renasceu "la feria", renasceu a inspiração que de toureio se fez escrita. Renasceu Ferrera que a cada abrilada se reinventa. Tudo voltou a ser como deve. Renasceu Sevilha numa quinta-feira improvável, Renasceu Sevilha num Jueves de Resurrección.


O aniversário do Sector 1




A propósito das comemorações do 83º Aniversário do Grupo Tauromáquico ‘Sector 1’, este grupo vai levar a cabo no próximo dia 28 de Maio, quinta-feira, o tradicional Jantar de Aniversário que este ano terá como convidado de honra, o cavaleiro tauromáquico D. Francisco de Mascarenhas, por ocasião dos 70 anos da sua alternativa.
D. Francisco de Mascarenhas toureou pela 1ª vez aos 8 anos de idade na antiga Praça de Toiros de Algés e aos 10 apresentou-se na do Campo Pequeno. Tirou a alternativa a 29 de Agosto de 1945 em Lisboa, pelas mãos do cavaleiro Mestre João Branco Núncio.
Agora, aos 89 anos de idade, D. Francisco de Mascarenhas completa 81 anos de toureio e 70 como cavaleiro de alternativa, números mais que significativos para que o ‘Sector 1’ preste esta homenagem a uma figura incontornável do Toureio a Cavalo em Portugal, que ombreou com os maiores toureiros do mundo não só em Portugal como em Espanha, França e no México, sendo ainda grande conselheiro e amigo de muitos outros cavaleiros que ‘beberam’ dos seus ensinamentos e da sua grande experiência no mundo dos toiros e dos cavalos.
Este dia de comemorações, terá então início pelas 19h15m, com a Missa em memória dos sócios falecidos a realizar na Igreja de S. Nicolau (Rua da Vitória – na Baixa).
Pelas 20h, e numa sala do Hotel Mundial (Martim Moniz, Lisboa), decorrerá o Colóquio “7 Décadas de Toureio a cavalo: Classicismo e Modernidade” com D. Francisco de Mascarenhas, Fernando de Andrade Salgueiro e Manuel Andrade Guerra.
Seguir-se-á pelas 21h00m, no restaurante ‘Jardim do Mundial’, o Jantar do 83º Aniversário do G. T. ‘Sector 1’ onde será também prestada a referida homenagem ao Convidado de Honra: D. Francisco de Mascarenhas.
Todas as inscrições e informações, devem ser feitas através do e-mail grupotauromaquicosector1@gmail.com ou do telemóvel 916868538 (disponível das 16h às 19h em dias úteis). Inscrições no jantar só até dia 26 de Maio.
Podem sempre manter-se informados através do nosso site: www.gtsector1.blogspot.com

Foto:D.R.

Marcos e Dália na "Caras"




A revista "Caras" publicou uma reportagem com Dália Madruga e Marcos Tenorio Bastinhas.
Acompanhados pelos filhos, João e Clara, o casal falou da família e da vivência em comum.
 Um dilatado e interessante trabalho com o casal, tendo como mote:"O refugio de Dália Madruga e Marcos Tenorio Bastinhas".

Fotos:Manuel Ribeiro

As "bombocas" para Coruche (C/Fotos)

 Lopes Branco
 Veiga Teixeira
 Ribeiro Telles
 António Silva
 Vale Sorraia
Cunhal Patrício

Manuel Telles Bastos é a “Figura Surpresa” da corrida de 16 de Julho



Prosseguindo a sua política de repetir os triunfadores e promover os jovens valores, a empresa do Campo Pequeno contratou para o lugar em aberto no cartel de 16 de Julho, o cavaleiro Manuel Ribeiro Telles Bastos, triunfador da corrida de 14 de Maio.
Manuel Ribeiro Telles Bastos será assim a “Figura Surpresa” que abrirá o cartel da corrida, na qual alternará com Duarte Pinto e Miguel Moura, dois dos valores mais firmes da nova geração de cavaleiros tauromáquicos.
Esta é a corrida do tradicional “Concurso de Pegas”, uma das mais emblemáticas da temporada lisboeta, que terá este ano em competição os grupos de forcados amadores de Cascais, Monforte e Beja, que disputarão o troféu para a “Melhor Pega de Caras”.
Serão lidados seis poderosos toiros da ganadaria Canas Vigouroux, triunfadora nas duas últimas temporadas.

Foto José Manuel d´Oliveira e Sousa/facebook MRTB

O "Olé" desta semana


O cartaz de Pablo Hermoso em Reguengos


domingo, 17 de maio de 2015

Na arena, os toureiros entram de pé - Por Francisco Morgado

O prestigiado jornalista taurino Francisco Morgado faz hoje o seu debute no Diário Taurino com um bonito e sentido texto de homenagem a António Badajoz, respeitável bandarilheiro, taurino do coração, que recebeu na quinta-feira no Campo Pequeno, em Lisboa o "Galardão Prestígio" atribuido pela empresa. Para nós é uma honra publicar o texto de Francisco Morgado, na certeza que os aficionados vão gostar deste seu testemunho.

Os toureiros são realmente feitos de uma massa especial. Nunca deixam de nos surpreender com as suas reações perante as contrariedades que a sua difícil profissão pode proporcionar e essa circunstância faz com que essa disposição seja para eles uma forma de encarar a vida.
Vem isto a propósito do que assistimos no Campo Pequeno na passada quinta-feira. 
António Pereira
Cipriano por todos os aficionados conhecido por António Badajoz recebeu o Galardão Prestígio outorgado pela empresa de Lisboa, um acto de justiça para aquele que foi o maior e o melhor bandarilheiro português do século XX.
António Badajoz tem agora 85 anos e os seus últimos tempos têm lhe sido muito difíceis. Um longo internamento hospitalar tirou-lhe a capacidade de andar, mas não derrotou a sua vontade de ferro. António não se podia conformar com esta imobilidade e entregou-se com tenacidade à  tarefa de contrariar os males do seu corpo cansado.
Quando foi chamado à arena para receber aquela distinção, recusou a comodidade da cadeira de rodas e avançou pelo seu pé, amparado num aparelho ortopédico.
Quando a ovação foi redonda e de luxo, com o publico unanimemente em pé, inchou o peito como era o seu jeito, ergueu o tronco e saudou de boné em mão e de forma muito templada. Notei no rosto o seu sorriso maroto e um brilho muito vivo nos olhos do velho toureiro.
Ele, que teve tantas tardes e noites de gloria ao serviço dos seus toureiros na arena da velha praça, tinha ali aos seus pés os aficionados do novo Campo Pequeno, voltando, por momentos, a recuar no tempo.
Falei ontem com ele e estava radiante e feliz.
Grande entre os grandes, como diz um amigo comum, há homens que são eternos. António Badajoz, aos oitenta e cinco anos, mostrou como é diferente a massa de que são feitos os toureiros.

Francisco Morgado / Foto Emilio de Jesus